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19 de novembro - 2007

A Associação ILGA Portugal esteve presente na Conferência de Encerramento do Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Tod@s.

Presidência da EU
«Tolerância» deve ser substituída por «aceitação»
(notícia SOL)

Activistas pela igualdade defenderam hoje em Lisboa que a Europa deve assumir um discurso pela aceitação das minorias e não pela tolerância, palavra que pressupõe uma concessão e não a integração efectiva da diferença


Esta foi uma das ideias deixadas na conferência de encerramento do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidade para Todos, lançado em Berlim sob a égide da Presidência Alemã da União Europeia e celebrado em 2007 em toda a Europa.

A segunda metade do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades coincidiu com a presidência portuguesa da União Europeia (UE).

O Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos foi criado para sensibilizar a população para o direito à igualdade e à não discriminação e permitir às populações expostas à discriminação conhecerem melhor os seus direitos e a legislação europeia.
Esther Mucznik, vice-presidente da comunidade israelita em Portugal e membro da Comissão da Liberdade Religiosa, abordou a questão religiosa no contexto da igualdade, tendo chamado a atenção para o verdadeiro valor das palavras tolerância e liberdade.
Segundo a vice-presidente da comunidade israelita em Portugal, ser tolerantes é aceitar a diferença, enquanto a palavra liberdade pressupõem que o diferente faz parte da norma, ou seja, "não precisa de tolerância".

A liberdade, adiantou, integra a diferença no sistema e o grau de liberdade de um país mede-se pela integração das suas minorias.

«Houve um tempo em que a tolerância foi um sistema. Na época medieval, os judeus tinham relativa liberdade que decorria de uma sistema de protecção real. As minorias eram assim toleradas. A liberdade só chega no século XIX, mas por etapas», disse, adiantando que só após a revolução de 25 de Abril se tornou efectiva.
«Hoje em Portugal existe liberdade», disse.

A substituição da palavra tolerância quando se trata de minorias foi também defendida pela holandesa Lydia La Rivière-Zijdel, consultora internacional em Género, Diversidade e Desporto.
Lydia La Rivière-Zijdel defendeu uma celebração da diferença como algo positivo para as sociedades e rejeitou qualquer linha de pensamento que encare a diferença com tolerância.
«Tolerância? Não. Quero falar de aceitação. Não quero ser tolerada, quero ser aceite porque sou mulher, lésbica e deficiente» disse.

Outro dos oradores da conferência de encerramento, Trevor Phillips, director da Comissão para a Igualdade e Direitos Humanos da Grã-Bretanha defendeu que o Ano Europeu da Igualdade Para Todos representou o princípio de uma batalha a desenvolver em toda a Europa, uma etapa para um futuro mais positivo.

Esta ideia coincide com a defendida anteriormente pelo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, que comparou o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades a uma «intensa sementeira" de valores e atitudes que permitirá colher no futuro o "fruto saboroso de uma Europa mais justa».

A conferência de encerramento do Ano Europeu conta com a presença de cerca de 600 participantes dos 30 países envolvidos no Ano Europeu da Igualdade e representantes das instituições da UE, como o Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades, Vladimir Spidla, e o vice-presidente do Parlamento Europeu, Rodi Kratsa-Tsagaropoulou.

Esta cerimónia relembra quais as actividades elaboradas nos países participantes ao longo de 2007 e vai declarar quais delas constituem o Legado do Ano, que será transposto para a próxima Cimeira da Igualdade.

O balanço do «Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos» pretende que os presentes retirem «conclusões que assegurem um compromisso político sólido em torno dos objectivos que norteiam o Ano Europeu».

Também participarão na conferência de encerramento representantes de autoridades nacionais dos 30 países envolvidos, parceiros sociais e ONGs activas na área da Igualdade e que colaboram no Ano Europeu.

Para a presidente da Estrutura de Missão para o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades, Elza Pais, as metas da iniciativa foram concretizadas e tiveram o envolvimento de toda a sociedade civil.

«A mensagem foi passada. Os benefícios da diversidade, da não discriminação e da igualdade de tratamento foi uma mensagem que passou em Portugal», disse.
Elza Pais defendeu que as metas foram «altamente concretizadas e ultrapassadas» tendo sido realizadas mais de 300 acções em todo o país envolvendo um a sociedade civil entre autarquias, empresas, parceiros sociais, governos civis, escolas, universidades, artistas e poetas.

Até mesmo a comunicação social, que no início parecia estar pouco atenta ao assunto, foi-se envolvendo, defendeu Elza Pais.

 

 

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