Esta foi uma das ideias deixadas na conferência
de encerramento do Ano Europeu da Igualdade de
Oportunidade para Todos, lançado em Berlim
sob a égide da Presidência Alemã
da União Europeia e celebrado em 2007 em
toda a Europa.
A segunda metade do Ano Europeu da Igualdade de
Oportunidades coincidiu com a presidência
portuguesa da União Europeia (UE).
O Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para
Todos foi criado para sensibilizar a população
para o direito à igualdade e à não
discriminação e permitir às
populações expostas à discriminação
conhecerem melhor os seus direitos e a legislação
europeia.
Esther Mucznik, vice-presidente da comunidade
israelita em Portugal e membro da Comissão
da Liberdade Religiosa, abordou a questão
religiosa no contexto da igualdade, tendo chamado
a atenção para o verdadeiro valor
das palavras tolerância e liberdade.
Segundo a vice-presidente da comunidade israelita
em Portugal, ser tolerantes é aceitar a
diferença, enquanto a palavra liberdade
pressupõem que o diferente faz parte da
norma, ou seja, "não precisa de tolerância".
A liberdade, adiantou, integra a diferença
no sistema e o grau de liberdade de um país
mede-se pela integração das suas
minorias.
«Houve um tempo em que a tolerância
foi um sistema. Na época medieval, os judeus
tinham relativa liberdade que decorria de uma
sistema de protecção real. As minorias
eram assim toleradas. A liberdade só chega
no século XIX, mas por etapas», disse,
adiantando que só após a revolução
de 25 de Abril se tornou efectiva.
«Hoje em Portugal existe liberdade»,
disse.
A substituição da palavra tolerância
quando se trata de minorias foi também
defendida pela holandesa Lydia La Rivière-Zijdel,
consultora internacional em Género, Diversidade
e Desporto.
Lydia La Rivière-Zijdel defendeu uma celebração
da diferença como algo positivo para as
sociedades e rejeitou qualquer linha de pensamento
que encare a diferença com tolerância.
«Tolerância? Não. Quero falar
de aceitação. Não quero ser
tolerada, quero ser aceite porque sou mulher,
lésbica e deficiente» disse.
Outro dos oradores da conferência de encerramento,
Trevor Phillips, director da Comissão para
a Igualdade e Direitos Humanos da Grã-Bretanha
defendeu que o Ano Europeu da Igualdade Para Todos
representou o princípio de uma batalha
a desenvolver em toda a Europa, uma etapa para
um futuro mais positivo.
Esta ideia coincide com a defendida anteriormente
pelo ministro da Presidência, Pedro Silva
Pereira, que comparou o Ano Europeu da Igualdade
de Oportunidades a uma «intensa sementeira"
de valores e atitudes que permitirá colher
no futuro o "fruto saboroso de uma Europa
mais justa».
A conferência de encerramento do Ano Europeu
conta com a presença de cerca de 600 participantes
dos 30 países envolvidos no Ano Europeu
da Igualdade e representantes das instituições
da UE, como o Comissário Europeu para o
Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades,
Vladimir Spidla, e o vice-presidente do Parlamento
Europeu, Rodi Kratsa-Tsagaropoulou.
Esta cerimónia relembra quais as actividades
elaboradas nos países participantes ao
longo de 2007 e vai declarar quais delas constituem
o Legado do Ano, que será transposto para
a próxima Cimeira da Igualdade.
O balanço do «Ano Europeu da Igualdade
de Oportunidades para Todos» pretende que
os presentes retirem «conclusões
que assegurem um compromisso político sólido
em torno dos objectivos que norteiam o Ano Europeu».
Também participarão na conferência
de encerramento representantes de autoridades
nacionais dos 30 países envolvidos, parceiros
sociais e ONGs activas na área da Igualdade
e que colaboram no Ano Europeu.
Para a presidente da Estrutura de Missão
para o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades,
Elza Pais, as metas da iniciativa foram concretizadas
e tiveram o envolvimento de toda a sociedade civil.
«A mensagem foi passada. Os benefícios
da diversidade, da não discriminação
e da igualdade de tratamento foi uma mensagem
que passou em Portugal», disse.
Elza Pais defendeu que as metas foram «altamente
concretizadas e ultrapassadas» tendo sido
realizadas mais de 300 acções em
todo o país envolvendo um a sociedade civil
entre autarquias, empresas, parceiros sociais,
governos civis, escolas, universidades, artistas
e poetas.
Até mesmo a comunicação social,
que no início parecia estar pouco atenta
ao assunto, foi-se envolvendo, defendeu Elza Pais.
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